A Microsoft anunciou nesta segunda-feira, 18/6, seu novo
tablet Surface, que chega “em breve” para brigar diretamente com o líder
iPad.
O Surface é um tablet touchscreen com uma tela de 10,6
polegadas de alta definição. Ele vai rodar o Windows 8 ou o Windows RT
(mais sobre isso abaixo) – usando o sistema operacional baseado nos
“tijolos”(tiles) já familiar aos usuários de aparelhos Windows Phone.
O que a Microsoft demonstrou no palco do seu evento em Los
Angeles, nos EUA, pareceu interessante. Ao menos, uma parte do que foi
apresentado. Houve alguns pedaços espertos de inovação – mais
especificamente a Touch Cover (no estilo da Smart Cover, da Apple) e a
Type Cover. Cada uma delas se conecta magneticamente ao Surface para
proteger sua tela, e elas podem acionar o mesmo comportamento de
dormir/acordar que a Smart Cover do iPad (e agora, o Smart Case)
consegue. A parte inovadora é que as capas se dobram como teclados para o
Surface. A mais fina Touch Cover usa um teclado multitoque – as teclas
não se mexem abaixo dos seus dedos, mas você pode descansar seus dedos
nelas sem digitar. A Type Cover, mais espessa, usa botões de verdade.
Até o momento , ninguém de fora da Microsoft teve a chance
de usar uma das capas do Surface, por isso é difícil o quão bem o
conjunto funciona. Ainda assim, integrar um teclado ao case do aparelho é
uma ótima ideia, e a Apple nunca foi tímida sobre fazer melhorias a
partir de inovações de outros lugares – a ver os casos do Mac OS
original, do iPod, e do Centro de Notificações para exemplos de três
eras diferentes da companhia.
No entanto, alguns elementos do Surface não parecem ter
muitas chances de chamar a atenção da Apple: o suporte integrado
aparentemente define o Surface como um aparelho para ser usado apenas na
orientação paisagem (horizontal), e não é compatível com as ideias
estéticas suaves da Apple.
Obviamente, não saberemos realmente se o Surface é bom (ou
não) até ser possível realmente colocar as mãos em uma versão funcional
do aparelho. Em curto prazo, no entanto, mesmo com a Apple podendo ter
ficado intrigada, duvido que a empresa esteja tomada por pânico após a
apresentação do novo tablet de sua eterna rival.
Por exemplo, o Surface está cheio de elementos diversos
que gritam “Microsoft”. Mais especificamente, ele será vendido com duas
arquiteturas diferentes: um modelo baseado em chip da Intel com o
Windows 8, e outro com processador da ARM e Windows RT. Os dois modelos
serão mais pesados que o iPad, apesar de que a versão com Windows RT
pode acabar sendo um pouco mais fina que o iPad, segundo a Microsoft.
Apenas o Surface com Windows 8 Pro pode rodar apps normais do Windows
além daqueles otimizados para tela sensível ao toque. Ambos os modelos
terão configurações diferentes de tamanhos, incluindo até 128GB de
capacidade de armazenamento.
A compra do iPad por si só também tem suas complexidades:
os clientes precisam escolher entre modelos apenas com Wi-Fi ou versões
de dados celulares (3G/4G), e então entre duas operadoras diferentes
(isso nos EUA; no Brasil não há essa necessidade). Até o momento, a
Microsoft não anunciou planos de incluir conectividade no Surface.
Os dois modelos do tablet da Microsoft terão uma porta
USB, Mini DisplayPort, e um slot para cartão micro-SD. Há muito uso no
mundo real para essas conexões, mas novamente, é muito improvável que a
Apple adicione esses recursos ao iPad – por isso, eles provavelmente
também não intimidam muito a Apple. Além disso, o Surface virá com uma
caneta stylus.
Mas a verdade é que a vantagem da Apple aqui é enorme. A
App Store inclui 225 mil aplicativos para o iPad: atualmente não existe
nenhum app desenvolvido para o Surface. Mesmo com a Microsoft
provavelmente cortejando e encorajando as principais criadores de apps a
desenvolverem para sua plataforma, essa nem sempre é uma venda fácil.
Novo tablet da Microsoft tem case com teclado multitoque e trackpad
Para alguns consumidores, um tablet deve rodar um pouco do
Windows para interessa-los. A Apple nunca conseguirá convencer esses
usuários, e nem precisa se preocupar com eles. Para todos os outros, há o
iPad, uma série de tablets que não são o iPad, e o mercado de e-books
tablets liderado pelo Kindle Fire, da Amazon, e o Nook Color, da Barnes
& Noble. O Surface precisará ter uma ampla base de consumidores para
motivar as fabricantes de apps a desenvolverem para o aparelho – o
mesmo problema que continua a emperrar a aceitação do Windows Phone.
E existem outros dois elementos chave que o tablet da
Microsoft ainda não possui: uma data de lançamento e um preço. O
primeiro não é assim tão importante. Nenhuma fabricante de tablets
conseguiu ainda ameaçar a liderança firme do iPad no mercado, e a
Microsoft não pode ficar realmente mais atrás do que “muito, muito
atrás” que já está no momento. Mas o preço do produto é algo muito
significativo. Se a Microsoft não pode competir com o preço inicial de
500 dólares do iPad (nos EUA; no Brasil fica na casa de 1.600 reais) – é
difícil imaginar como, com exceção de grandes inovações que ainda não
tenham sido anunciadas, o Surface poderia realmente ameaçar o iPad.
Agora, faz sentido as fabricantes de mais um “tablet
Android que parece o iPad mas é muito pior” ficarem nervosas com a
investida da Microsoft. E não ficaria chocado se o mercado de ultrabooks
descobrir que os clientes Windows preferem a abordagem do Surface. Por
isso, mesmo que a Apple ainda não fique preocupada, acho que algumas
fabricantes rivais das duas empresas deveriam ficar de olho na
Microsoft.
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